Linhas de sol
No final das contas todas, das somas, subtrações (e até mesmo quocientes improváveis), voltámos a estar só nós os dois. Voltámos a ser fiéis ao peso que nos prende ao chão. Falta-nos força, e nem mesmo o teu lipidante sopro nos ajuda. Voltámos a ser frágeis. Voltámos a ter medo de novos mundos. No final de todas as contas, voltámos a ser o 0, um nada num mundo cheio de tudo. A esperança deixou-se ser livre. Abandonou-nos e procurou novos mundos. E hoje estamos de novo a sós, enrolados nos cobertores que nos caracterizam, e com amarras que não nos deixam levantar (porque, afinal de contas, o frio mata). Pensei procurar chá hoje, afinal de contas, almas sentidas precisam de ser aconchegadas, mas apercebi que o que precisámos é de café. De uma droga forte. De algo que nos devolva a vida, a vontade de nos agarrarmos às linhas do sol. Voltámos a querer ser fortes, mas estamos com a alma pesada, e o café pode não ser suficiente...
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